31/10/2012

Escritório bagunçado estimula boas ideias


Autor de sete livros sobre tecnologia e inovação, Steven Johnson assegura que, para estimular boas ideias, seu escritório deveria se parecer mais com a foto abaixo 


 

Quantas vezes você ouviu que uma escrivaninha organizada favorece os estudos e que um ambiente tranquilo, arrumado é reflexo de bons resultados? Pois há novas evidências. Steven Johnson, formado em semiótica e em literatura inglesa pela Universidade de Columbia, decidiu investigar como surgem as boas ideias e quais são os ambientes que favorecem sua formação. Segundo ele, se você procura inovação, seu escritório deveria acolher mais encontros – e uma certa bagunça.
Durante a investigação, Johnson encontrou um estudo realizado pelo psicólogo Kevin Dunbar, da McGill University, no Canadá. Dunbar instalou câmeras em quatro dos mais importantes laboratórios americanos de biologia molecular para registrar as atividades dos cientistas e entrevistou os pesquisadores, perguntando-lhes sobre seus avanços e mudanças de hipóteses. O resultado desse “big brother científico” foi revelador: a maior parte das descobertas importantes ocorreu não com os pesquisadores debruçados sobre seu microscópio, mas durante reuniões informais, nas quais eles discutiam seus trabalhos. Ou seja, as sacadas apareceram durante o cafezinho, o bate-papo, ao redor do bebedouro. “Ali, os resultados do raciocínio de uma pessoa se tornavam o motor para o pensamento de outra, mudando em vários aspectos a condução da pesquisa”, diz Dunbar.
Com base nesse e em outros estudos, Johnson descobriu que uma ideia inovadora costuma dormir por longo tempo na mente até emergir. E o que a faz nascer é justamente “chocar-se” com outras ideias ou pedaços de ideias, num processo por vezes caótico, até surgir como um todo inovador. Nesse ponto é que entra o ambiente: quanto mais gente com diferentes formações, especialidades e conhecimentos trocar informações e se debruçar sobre os erros que eventualmente acontecem, maiores são as chances de algo novo emergir. “Somos mais bem-sucedidos ao conectar ideias do que ao protegê-las”, diz Johnson. “Ambientes que constroem muros em torno de boas ideias tendem a ser menos inovadores que ambientes abertos.”
Pense nisso na próxima reforma do escritório: que tal começar pelo bebedouro e montar o resto ao redor? A Microsoft já está testando isso no Building 99, o novo centro de operações da sua divisão de pesquisa, em Redmond, Washington. Ali, as pessoas podem rabiscar nas paredes, facilmente laváveis, e tudo gira em torno de um grande átrio com jeitão de café. 



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